O candidato ao governo do Espírito Santo pelo PL, Manato, admitiu nesta terça-feira, 18, ao ES1, que integrou Scuderie Le Cocq, mas afirma que atuou apenas no ‘braço de filantropia’ da organização, e que quando tomou conhecimento das práticas do grupo, saiu pacificamente da organização.
“Eu sou um cara verdadeiro, eu aprendi com meu pai que a gente não deve falar mentira, deve sempre falar a verdade. Eu fiz a ADESG, que é a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, fui um dos melhores alunos da ADESG. Quando acabou a ADESG, as pessoas que estavam lá – juízes, promotores, advogados, médicos – me chamaram para ir para uma outra denominação que tinha também a filantropia. Como eu era médico, diretor de hospital, se eu não queria participar […] meu coração de médico pedia para eu fazer filantropia e eu fui. […] Quando começou a surgir alguma coisinha, o meu cunhado, ele é procurador, falou ‘olha isso aí tem algumas coisas que não estão bem, então não combina com você, não é só filantropia. Do jeito que eu entrei pela porta da frente, eu saí pela porta da frente”, falou Manato.
A Scuderie Le Cocq é apontada como um dos principais grupos de extermínio a agir no Espírito Santo, até os anos 2000. Até a data da dissolução, a Le Cocq tinha sido acusada de 30 assassinatos políticos e quase 1.500 homicídios anuais.
Em entrevista ao ES1 na segunda-feira, 17, o adversário de Manato no segundo turno, Renato Casagrande (PSB), afirmou que o candidato do PL “participou do braço armado do crime organizado”. Na entrevista desta terça, Manato se defendeu das alegações, e afirmou que não tem envolvimento com o crime organizado.
Sobre o alinhamento dele com o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), Manato disse que admira o presidente, que concorda com a grande maioria do que ele diz, mas que isso não significa um alinhamento automático em todas as pautas.
“Eu sou Manato. Eu tenho meu estilo. Eu admiro o presidente Bolsonaro, tenho uma admiração muito grande. Agora, cada um tem sua característica particular e peculiar”, falou Manato.
Questionado sobre os projetos que propôs para a Segurança Pública enquanto foi deputado federal, Manato disse que, enquanto esteve no cargo, não foi o único que não propôs nenhuma medida e que nunca teve proposta relevante na área porque os “vermelhos” não deixavam andar.
“Quem não deixava era o governo federal. Lula não deixava, Dilma não deixava. Não evoluía nada”, disse o candidato.
Sobre a possibilidade de uma eleição do candidato Lula (PT) e como seria o diálogo da sua gestão enquanto governador com o presidente, Manato falou que está confiante na vitória de Bolsonaro e que, para ele, o presidente já está reeleito, mas caso isso não aconteça ele terá uma constituição ao lado dele.
Na entrevista, Manato reiterou que Aridelmo Teixeira, que disputou o primeiro turno das eleições para governador pelo partido Novo e declarou apoio a ele no segundo turno, vai responder pela área econômica de um eventual governo dele.
Manato chamou Aridelmo de “Guedinho”, disse que levou Aridelmo a um encontro com Paulo Guedes e que teve a aprovação do Ministro da Economia do governo Bolsonaro.
O candidato falou que Aridelmo vai ser responsável por enxugar a máquina pública para obter os recursos necessários para que o governo faça investimentos. No entanto, ele não falou quais seriam os alvos do enxugamento.
Manato prometeu criar, dentro da Secretaria de Infraestrutura, uma subsecretaria de Obras Paradas, disse que vai concluir o Cais das Artes, e que vai chamar a iniciativa privada para fazer uma parceria público-privada para finalizar a obra e operar o espaço.
Ele afirmou que o Cais das Artes será a prioridade da subsecretaria que ele criará e que caso não haja interesse privado, a obra será concluída com recursos públicos.
Sobre as propostas do plano de governo dele de criar uma 4ª e uma 5ª ponte na Grande Vitória e um sistema de veículos leves sobre trilhos (VLT), Manato falou que vai negociar a obra das pontes na comissão de infraestrutura da Câmara Federal e que vai contratar um projeto executivo para o VLT com recursos estaduais.
Manato prometeu fazer parceria com os municípios capixabas para criar um programa de distribuição de renda. Sobre os recursos para viabilizar a proposta, o candidato falou que os municípios mais ricos devem desembolsar uma fatia maior para o investimento e que em cidades mais pobres o governo deve bancar.
Perguntado sobre como conseguiria entregar, ainda no início de um eventual governo, as propostas que tem feito na campanha, Manato falou que já está articulando mudanças no orçamento estadual desde antes da eleição, e que teve uma conversa com o presidente da Assembleia Legislativa (Ales), Erick Musso (Republicanos), para que a os deputados aguardem a definição do segundo turno para aprovar o orçamento de 2023.
“‘Erick, eu preciso que você faça uma coisa desde que não ultrapasse o seu poder, eu tô querendo fazer uma mudança no orçamento. Eu preciso colocar R$ 250 milhões no orçamento porque eu quero, porque eu vou comprar as cirurgias eletivas de quem está precisando. Você tem como segurar o orçamento do Estado até o início do mês?’ […] Na mesma hora ele falou ‘você tem razão”, disse Manato.
Sobre a prioridade do governo dele, em um eventual mandato, Manato disse que será a segurança pública, mas afirmou que ainda não sabe quem assumirá a Secretaria de Segurança Pública.
“O número um nosso é segurança pública. O que nós temos aqui hoje é insegurança pública”, declarou Manato.
Manato prometeu aumentar o efetivo, valorizar o salário dos profissionais de segurança, criar um plano de cargos e salários para as polícias e criar policias rurais.
O candidato falou que não acredita que o Estado viverá uma grave da Polícia Militar e que mandará fazer uniformes das corporações do Estado para que ele use em eventos oficiais.
Na Educação, Manato disse que vai permitir que os professores façam as horas de planejamento em casa. Falou ainda que vai implementar um programa de alfabetização de seis a oito meses.
Ao final da entrevista, Manato disse porque quer ser governador do Espírito Santo. Veja o que ele falou:
“Eu peço desculpa a você, que hoje eu não vou pedir voto não. Vou falar sobre Outubro Rosa. Você que é mulher, você que é mãe, vamos fazer o exame de prevenção do câncer de mama. Faz o autoexame do câncer de mama, procura o ginecologista, procura um mastologista. Câncer de mama é um dos principais câncer. Quando você pega ele, na fase inicial, é praticamente 100% de cura. A minha secretária tem 29 e, um belo dia, ela chegou ‘doutor Manato’, ela me chama de doutor Manato, ‘doutor Manato, eu acho que eu estou com um carocinho aqui’. Eu peguei uma toalha, fui lá e apertei, falei ‘é, a doutora Soraya chega amanhã, você vem, ela te examina’. Soraya chegou no outro dia, examinou, nós fizemos tudo particular, porque queríamos rápido, fizemos particular, mandamos exame, ela tirou e tá curada. Então vamos fazer o exame de mama. E uma coisa que nós vamos fazer, nós vamos espalhar mamografia neste estado todo, espalhar pra prevenir esse câncer de mama. Então, se eu puder falar alguma coisa pra você, vamos fazer um autoexame na mama. Vamos procurar um ginecologista, a política depois a gente fala”, falou Manato. (Da Redação com g1 Espirito Santo)
























