O Corpo de Bombeiros entra nesta quarta-feira, 13, no quarto dia de combate ao incêndio no prédio comercial de 10 andares no Centro de São Paulo. Como há risco de desabamento, os bombeiros estão do lado de fora do edifício, usando mangueiras com água para tentar apagar o fogo. Na manhã de terça-feira, 12, eles deixaram o interior o imóvel após ouvirem estalos na estrutura.
As chamas começaram na noite de domingo, 10. Além desse prédio, outros quatro imóveis próximos também foram incendiados: um prédio de seis andares, uma loja e uma igreja. Todos ficam na região da Rua 25 de Março.
Dois bombeiros chegaram a sofrer queimaduras e foram internados durante os trabalhos. Não há mais registros de pessoas feridas na região. A Polícia Civil investiga as causas e eventuais responsabilidades pelo incêndio.
“A gente tem o risco de colapsar a estrutura, então, por isso, nesse momento, a gente não faz mais, desde ontem [terça], o combate interno. A gente atua agora somente na parte externa por isso dificulta um pouco o nosso trabalho e retarda o término desse incêndio”, disse nesta quarta o capitão Maycon Cristo, porta-voz dos bombeiros.
Segundo o capitão ainda não há um prazo para o fim dos trabalhos dos bombeiros no local. “O combate externo ele é mais lento, a gente não consegue atuar in loco, onde de fato está pegando fogo, revirar aquele material e apagar ali pontualmente, então esse combate externo vai se estender um pouco mais”, falou Maycon.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou nesta terça-feira que solicitará a demolição do prédio de dez andares. Segundo ele, como o edifício é privado, o pedido de demolição precisa ser analisado pela Justiça.
Também na terça, o engenheiro da Subprefeitura da Sé Álvaro Godoy Filho disse que é iminente o risco de queda do prédio de dez andares.
“O risco é iminente, pode acontecer a qualquer momento. No resfriamento, tende a colapsar mais rápido, porque ele tenta voltar à condição anterior, e ele não consegue”, afirmou. “Pode acontecer igual às Torres Gêmeas [quando caíram em 2011], o negócio é bem complicado.”
“Existem três tipos de estrutura distintas no próprio prédio. Uma dessas partes tende a colapsar para o fundo, onde é um estacionamento. Outra tende a colapsar para frente da rua, ou pegar o prédio ao lado”, explicou o engenheiro, que descartou a volta dos bombeiros para o trabalho interno.
“O momento agora é de terminar o rescaldo do incêndio, para poder fazer uma próxima avaliação e ver como ficou a estrutura da edificação. A responsabilidade é do proprietário do imóvel”, afirmou.

Bloqueio expandido
Uma nova avaliação feita por engenheiros da prefeitura expandiu a área de bloqueio e interditou nove prédios que correm risco de desabar após incêndio que já dura mais de 40 horas no Centro de São Paulo. Devido ao risco, o Corpo de Bombeiros interrompeu os trabalhos de combate ao fogo no prédio de dez andares.
Os prédios interditados estão nos seguintes endereços:
Rua Cavalheiro Basílio Jafet, 115
Rua Cavalheiro Basilio Jafet, 127
Rua Cavalheiro Basílio Jafet, 107
Rua Barão de Duprat, 41
Rua Barão de Duprat, 39
Rua 25 de março, 734
Rua 25 de março, 702
Rua Comandante Abdo Schahin, 94
Rua Comandante Abdo Schahin, 78
Segundo o capitão André Elias, porta-voz dos bombeiros, “o risco de desabamento existe e, por isso, a gente parou de fazer o trabalho interno”.
“As lajes flambaram – apresentaram uma deformação anormal -, e ouvimos muito barulhos, como estalos. Por isso o engenheiro da prefeitura pediu para a gente parar, reavaliar, dar um tempo, ver o comportamento do prédio, da estrutura toda, para depois retomar os trabalhos. Estamos fazendo só combate externo”, afirmou.
‘Pode acontecer igual às Torres Gêmeas’, diz engenheiro da Prefeitura de SP sobre prédio que está há mais de 45 horas em chamasSegundo o capitão, ainda existem pequenos focos de incêndio dentro do prédio. “A gente já estava bem adiantando nos trabalhos, apagando os pequenos focos, mas aí teve o risco de desabamento.”
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que “após vistoria realizada hoje, nove edifícios foram interditados de maneira parcial ou total, conforme o risco que apresentam e de acordo com o laudo assinado pelo engenheiro Álvaro de Godoy Filho. Os imóveis não são residenciais, portanto, não há desabrigados”.
“De acordo com a avaliação da equipe de engenharia da Subprefeitura Sé, o prédio atingido pelo fogo corre risco de desabamento. Se, depois de concluído o trabalho de rescaldo, houver necessidade de demolição, o dono da edificação terá que acionar o engenheiro contratado por ele para a realização do trabalho”, afirma o texto.
As vias da região da Rua 25 de Março, que chegaram a ser liberadas para o comércio mais cedo, voltaram a ser interditadas.
Os bombeiros não sabem por quanto tempo as ruas ainda ficarão bloqueadas e estão aguardando uma nova avaliação sobre o risco de desabamento para continuar os trabalhos. Isso deve ser feito por engenheiros da Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de São Paulo.
Segundo a Defesa Civil, todo o quarteirão está interditado para contenção de riscos e, no entorno, não há edifícios residenciais, só comerciais.
A pedido dos bombeiros, o Metrô fechou por volta do meio-dia o acesso pela Ladeira Porto Geral à estação São Bento, da Linha 1 – Azul.
Os comerciantes foram orientados a fechar as portas o mais rapidamente possível. Os bombeiros pedem que as pessoas evitem circular pela região.
“Estamos reposicionando as viaturas do Corpo de Bombeiros, mudando o ponto de comando e também fazendo a interdição da Rua 25 de Março, Rua Comendador Abdo Schahin e passando por uma nova avaliação e existe o risco do colapso da edificação, portanto, as operações serão interrompidas agora para uma nova estratégia”, disse o capitão André Elias, porta-voz dos bombeiros.
A CET bloqueou todo o entorno do prédio, localizado na Rua Comendador Abdo Schahin. Seis linhas de ônibus foram desviadas por conta das interdições.
Seguindo orientações dos Bombeiros, além dos dois pontos que já estavam bloqueados, a CET estabeleceu quatro novos.
Pontos de bloqueio:
Rua Comendador Afonso Kherlakian x Rua Comendador Abdo Schain
Rua Niazi Chohfi x R Vinte e Cinco de Março
Da Cantareira X Av. Mercúrio
Av. Prestes Maia X R. Carlos Souza de Nazaré
Ladeira Porto Geral X R. Boa Vista
Florência de Abreu X R. Da Constituição
Na segunda, os bombeiros tinham descartado o risco de desabamento. A Defesa Civil faria uma avaliação após o término dos trabalhos de combate às chamas.
O prédio onde o fogo começou não tinha o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Ele abriga pequenas lojas e armazena produtos dos comerciantes da região.
O AVCB atesta que um prédio segue as normas de segurança e tem os equipamentos de proteção e combate a incêndios como alarmes, extintores, hidrantes e saídas de emergência. O documento é obrigatório.
Todos os imóveis atingidos pelo fogo estavam vazios, incluindo a igreja.
Segundo um padre da comunidade Ortodoxa Antioquina de São Paulo, o teto desabou e mais de 80% do imóvel foi destruído.
Um sacristão relatou ao g1 que todo o material que pode ter sido destruído por conta do incêndio.
“Ficamos muito tristes. Temos informações de que o fogo atingiu a igreja, mas ainda não sabemos os danos. É a primeira igreja ortodoxa fundada no Brasil, em 1904. Os arquivos dela são grandes e tem informações da religião e história do nosso povo. É um patrimônio histórico da colônia síria no Brasil”, afirmou.
Dois bombeiros que atuavam no combate às chamas ficaram feridos.
Eles sofreram queimaduras de 2º grau e foram encaminhados para o pronto-socorro do Tatuapé, na Zona Leste, com mais de 15% do corpo queimado.
Investigação
Os bombeiros ainda não sabem o que teria provocado o incêndio. Segundo Secretaria da Segurança Pública, o caso foi registrado como incêndio e furto.
A polícia teve acesso à imagens filmadas por câmeras de segurança, que mostram um indivíduo saindo de um estacionamento próximo ao prédio onde o fogo começou carregando dois sacos pretos cheios de objetos.
Logo após a saída dele, foi possível observar um clarão vindo da direção das chamas. A polícia vai investigar se há relação entre esse homem e o incêndio.
Balanço incêndio 2022
Levantamento feito pela TV Globo aponta foram registrados 127 incêndios na Grande São Paulo neste ano.
Desse total, 48 pessoas feridas, 8 mortas e 706 equipes dos bombeiros foram mobilizadas. 17 foram em edificações comerciais, resultando em 4 feridos, sem mortos, e 136 viaturas dos bombeiros no atendimento. (Da Redação com g1 São Paulo)
























