Oficialmente, o inverno começa no dia 21 de junho no Brasil, mas neste ano as baixas temperaturas vão ficar mais acentuadas mais cedo.
Em Barra de São Francisco e região a temperatura mínima deve ficar em torno de 18 °C a 19 °C até esta quarta-feira, 18, segundo a Climatempo. No entanto, a partir desta quinta-feira, 19, a previsão é de queda de 8 °C a 9 °C com a temperatura mínima chegando a 11 °C ou até 10 °C.
A chegada da onda de frio até motivou o surgimento de uma expressão curiosa no Twitter para se referir às baixas temperaturas previstas como “erupção polar” — termo que não existe na meteorologia, como explicaram especialistas consultados pela BBC News Brasil.
A meteorologia do Incaper emitiu aviso meteorológico com nível de “ATENÇÃO” devido às condições meteorológicas favoráveis para ocorrência de declínio acentuado de temperatura, que pode resultar em temperaturas mínimas de até 5,0 °C.
Durante esse período, as condições são favoráveis para o risco de formação de geada na vegetação. São grandes as chances de ocorrência de danos a propriedades, a vegetação, a vida de pessoas e animais. Em caso de situação de perigo iminente, recomenda-se entrar em contato com os órgãos de Defesa Civil através do telefone (27) 3194-3652.
“O mês de maio é o segundo mês de transição entre o Verão, quente e úmido, e o Inverno, frio e seco, que é quando a frequência de incursões de massas de ar de origem polar no território brasileiro aumenta e algumas dessas massas podem alcançar o Espírito Santo. Com as proximidades do Inverno, que oficialmente tem início no dia 21 de junho, as ocorrências de ar frio vão passar a ser mais comuns”, destaca o coordenador de Meteorologia do Incaper, Hugo Ramos.
A partir desta quarta-feira, 18, previsões iniciais apontam uma tendência de temperaturas mínimas na região serrana, que podem ficar entre 5 °C e 7 °C. Já as máximas na região ficam entre 25 °C e 27 °C. Com base nessa previsão, indicadores apontam para um risco de geada fraca na região serrana, no amanhecer da próxima quinta-feira, 19.
Nas demais regiões do Espírito Santo, nesta quarta-feira, 18, as mínimas variam entre 12 °C e 16 °C, enquanto que as temperaturas máximas podem oscilar entre 19 °C e 23 °C. Em Vitória, as temperaturas devem oscilar entre 15 °C e 26 °C.
“Maio é um mês de Outono, ou seja, de transição climática. É normal que a partir da segunda semana do mês as temperaturas comecem a adquirir características de inverno”, explica o meteorologista Humberto Barbosa, professor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) e coordenador do Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites).
“No entanto, neste momento realmente teremos um declínio de temperatura mais acentuado, abaixo da média que se espera para o período”, explica.
Brasil
O Inmet aponta para o risco de geada no Sul e Sudeste e de friagem no Centro-Oeste. E cita até uma pequena possibilidade de neve nas serras gaúcha e catarinense.
Segundo Barbosa, todos os modelos de previsão atmosférica têm “captado” que as temperaturas vão estar mais baixas na próxima semana. Mas sempre há algum nível de incerteza sobre os eventos mais extremos com vários dias de antecedência.
Até onde (e quando) vai o frio intenso?
De acordo com a previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), há condições para que boa parte dos Estados do Sul tenham temperaturas negativas entre os dias 16 e 20 de maio.
Já nas principais capitais do Sul e em algumas do Sudeste e Centro-Oeste, a temperatura mínima pode chegar a menos de 10º C. É o caso de Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Goiânia (GO), Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT).
Deve fazer frio também em Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP) – a previsão de mínimas abaixo de 10º C na capital paulista, aliás, é um dos fatores que mostram como o frio será atípico.
Já o Rio de Janeiro (RJ) e Vitória (ES) devem ter mínimas entre 17º C e 22º C.
Segundo as previsões, os fatores que trarão o frio atípico devem ir perdendo força entre 21 e 22 de maio, quando as temperaturas devem voltar ao que costumam ser neste mês.
Qual o motivo do frio mais acentuado em maio?
O frio atípico das próximas semanas pode ser explicado pela conjunção de uma série de fatores climáticos (que afetam o clima, no longo prazo) e de tempo (mais localizados).
Um dos fatores é o La Niña – fenômeno que acontece quando há resfriamento das águas da região central do oceano pacífico por pelo menos três meses consecutivos.
“O fenômeno deixa a atmosfera um pouco mais fria, então cria uma condição favorável para que as temperaturas despenquem com a entrada de uma frente fria”, explica Barbosa.
O La Niña, no entanto, não é novidade – ele tem estado presente nos últimos dois anos.
O que está acontecendo no momento é que, neste cenário onde o fenômeno já afeta a atmosfera, vai haver a passagem de dois fatores meteorológicos pelo continente: o deslocamento de uma massa de ar polar vinda da Antártida e a passagem de um ciclone extratropical pelo sul do continente.
A passagem de massas de ar polar pelo continente é comum – é o que gera as frentes frias e, em geral, gera menos chuvas no sul e mais chuvas no norte. No entanto, em conjunto com a passagem do ciclone extratropical, ela cria as condições para um frio mais intenso.
“O ciclone extratropical traz um pouco mais de umidade e intensificação dos ventos”, explica Barbosa. “Isso gera risco de geadas no Sul e de friagem na região Centro-Oeste e em alguns estados do Norte”, afirma.
A onda de frio tem a ver com as mudanças climáticas?
Não é possível atribuir este evento específico – a onda de frio – às mudanças mais amplas no planeta, explica o climatologista Francisco Eliseu Aquino, do Centro Polar e Climático e da Geografia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
No entanto, os estudos sobre as mudanças climáticas mostram que elas tendem a aumentar a frequência de eventos meteorológicos extremos, explica o professor.
E a atual onda de frio é “coerente com estudos sobre anomalias de eventos frios em um planeta mais quente”, diz ele. O próprio Aquino tem um trabalho publicado sobre o assunto em que estudou eventos frios no hemisfério sul.
“Não posso dizer que essa onda de frio é inédita ou atribuí-la diretamente às mudanças climáticas, mas ela representa o tipo de anomalia que encontramos em um cenário em que o planeta está mais quente.” (Da Redação com g1 Meio Ambiente e Climatempo)





















