Brasileiros do Rukh Lviv, clube da primeira divisão ucraniana da cidade de Lviv, no oeste do país, Edson Fernando e Thalles Brenner estão, como todos no país, tentando deixar a Ucrânia. Mas a fuga está, há pelo menos 24 horas, interrompida perto da fronteira com a cidade polonesa de Medyka.
Jogadores brasileiros que estão em Kiev, capital da Ucrânia, se recusaram a pegar um trem para Chernivtsi, no oeste do país, por falta de segurança. Eles alegam que teriam que andar cerca de 52 quilômetros de madrugada para chegar na Romênia, após eventual desembarque na cidade de Chernivitsi. A Rússia invadiu o país do Leste Europeu na manhã de quinta-feira.
A solução foi proposta pelo Itamaraty, que colocou uma estação em Kiev como ponto de partida e sem a necessidade de comprar bilhetes. Por outro lado, o governo brasileiro informou que a “segurança do local é instável”.

Fronteira com a Polônia
Ainda na Ucrânia, Edson relatou em vídeo detalhes da situação das pessoas que não conseguem chegar à Polônia. No grupo que acompanha os jogadores brasileiros, há inclusive um bebê de um ano e cinco meses, o que aumenta a preocupação de todos, principalmente pelo frio e outras privações.
“A gente já está há quase 24 horas tentando sair aqui da Ucrânia, tentando sair de Lviv, a gente está bem exausto, cansado pra caramba, filas enormes, um caos para sair daqui”, – disse Edson Fernando, ex-volante do Bahia.
“A forma mais rápida, assim, que a gente está analisando aqui é a gente conseguir um carro, uma van, mas os carros aqui são cheios, ônibus cheios, a gente oferece dinheiro eles não aceitam, uma coisa bem difícil – completou o jogador, que chegou há apenas dois meses ao clube ucraniano e não está acompanhado de parentes no país.”
Namorada de Thalles Brenner, a brasileira Jessica também relatou o drama. “Não tem hotel, e a gente está com uma criança de um ano e cinco meses, um bebê, que estava quase congelando de frio. A gente entrou aqui, a menina estava ficando roxa.”
“Está complicado, gente, está complicado. A gente não sabe o que fazer mais, a gente liga para a Embaixada, eles falam que não podem intervir, porque são leis ucranianas. Mas eu não estou querendo saber de leis, eu quero que me ajudem, a tirar eu, tirar o Thalles, tirar o Edson, tirar a gente daqui. É só atravessar a fronteira, a gente está na porta da fronteira, é só atravessar, gente, pelo amor de Deus”, relatou.
Edson Fernando contou que já existe uma estrutura em Medyka para recebê-los, desde que eles consigam atravessar a fronteira.
“Lá na Polônia, já tem uma van esperando a gente, já tem hotel reservado, mas a situação para sair daqui é bastante difícil, uma fila enorme de pessoas andando, e quando você vai chegando perto tem um mar de pessoas, então está um pouco complicado. Graças a Deus, a gente está bem, com saúde aqui, mas a esperança é que a gente possa conseguir passar para o outro lado, para a Polônia.”

























