
O governador do Estado, Renato Casagrande, esteve, na manhã desta quinta-feira, 17, no município de Alegre, uma das cidades mais afetadas pelas fortes chuvas que atingiram o Espírito Santo nas últimas horas. A comitiva oficial circulou pelas ruas, conversou com moradores e acompanhou os trabalhos de limpeza. Casagrande anunciou medidas emergenciais de apoio aos municípios atingidos pelas chuvas.
“Desde ontem (quarta-feira, 16), ainda durante a chuva, as equipes do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil já se deslocaram para o município, dando apoio, fazendo o primeiro atendimento, com a retirada de pessoas dos locais de risco, além do trabalho humanitário de entrega de cestas básicas e colchões, além de ajudar na limpeza da cidade. Outros municípios também estão ajudando a cidade de Alegre. Essa união das prefeituras e a solidariedade entre as pessoas, uma ajudando as outras, são características da população capixaba”, afirmou Casagrande.
O governador informou que vai solicitar ao Governo Federal que seja permitida a liberação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pessoas atingidas. Em paralelo, o Governo do Estado trabalha para permitir o parcelamento e a não cobrança de ICMS para os empreendedores que tiveram seus estoques atingidos.
“Os secretários estaduais da Fazenda estão se reunindo e vão discutir a questão do Rio de Janeiro [que também enfrentou fortes chuvas] e vamos fazer adesão a esse pedido. Também estamos estudando outros benefícios, como o Cartão Reconstrução ES, que foi um instrumento criado pelo Governo do Estado para atender a famílias que perderam bens em decorrência de tragédias desse tipo”, disse.
Casagrande lembrou que o Espírito Santo conta com o Programa Estadual de Mudanças Climáticas, que trabalha em diversas frentes para mitigar os efeitos dos eventos climáticos extremos. “São previstas ações de reflorestamento e mudança de matriz energética para fontes renováveis. Iniciamos aqui na região o Probacias (Programa Estadual de Conservação e Revitalização de Bacias Hidrográficas), que está distribuindo biodigestores e máquinas para auxiliar na construção de pequenas barragens e caixas secas. Além disso, temos investido permanentemente em infraestrutura”, pontuou.
QUASE 300 DESALOJADOS

Alegre registrou o maior volume de chuvas no Espírito Santo na quarta (16), com 114 milímetros em menos de uma hora. As chuvas torrenciais deixaram um rastro de destruição, com fortes enxurradas que carregavam tudo o que encontravam pela frente, e muitos deslizamentos de encostas. Numa delas, ocorrida no morro do Castelinho, em área pertencente ao campus da Universidade Federal do Espírito Santo, um muro caiu sobre uma casa e matou o engenheiro agrônomo José Luiz Albani, que estava na varanda de casa.
Albani era servidor aposentado do IDAF e foi administrador por muitos anos do Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça, além de ter sido secretário municipal. A morte dele causou comoção na cidade, onde a família é muito tradicional. Além da morte de José Luiz, a cidade tem, oficialmente, 287 pessoas desalojadas e quatro desabrigadas.
De acordo com informações da área de comunicação do município, as equipes da Prefeitura de Alegre e da Região já estão trabalhando intensamente para reparar os estragos e minimizar os riscos. As chuvas impactaram fortemente também Guaçuí, que faz parte da bacia do rio Itapabapona, e Jerônimo Monteiro, que ficou inundada na noite de quarta-feira pelas águas que desceram de Alegre até o rio Itapemirim, que transbordou e inundou a cidade.
Os bairros mais atingidos com alagamento e deslizamentos de terra foram Prainha, Vila do Sul, Vila Alta, Pedro Martins, Charqueada, Rua 13 de Maio, Linha Amarela, Cobrinha, Vila Viana, Pavuna, Leandro Machado, Guararema, Loteamento Luz Marina, Rua do Norte e Campo de Aviação. Comunidades rurais e distritos também tiveram ocorrências locais e em estradas vicinais, e ainda estão sendo refinadas as informações.
O prefeito Nirrô Emerick anunciou o decreto de estado de calamidade pública e está aguardando, para as 16 horas, a visita também do ministro do Desenvolvimento Regional, João Roma, para avaliar as providências a serem tomadas pelo Governo Federal. (Da Redação de Vitória com informações da Secom)
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