Uma advogada foi presa em mais uma fase da Operação Tolerância Zero, desencadeada pela Delegacia da Polícia Civil de Jaguaré, no Norte do Estado, para combater a atuação do crime organizado na região, apontada pelas investigações como “pombo correio” entre faccionados presos e soltos.
Na madrugada desta sexta-feira (26.06) agentes da Polícia Civil de Jaguaré e Pedro Canário, em ação conjunta com a 18ª Companhia da Polícia Militar de Jaguaré, foram a campo para cumprir seis mandados mandados de prisão, todos por homicídio, contra membros de uma organização criminosa estruturada com base no distrito de Nossa Senhora de Fátima, comumente chamado apenas de Fátima, em Jaguaré.
A reportagem da Tribuna Norte-Leste apurou que três dos alvos – Jhonatan Conceição dos Santos, 28 anos; Gilberto Cândido Barbosa, 23 anos; e Jarles Delgado Silva, 34 anos – já se encontravam no sistema prisional, mas três estavam em liberdade – Adenilson José dos Santos, 29 anos; Raimundo Conceição dos Santos, 40 anos; e a advogada Lorrayne Oliveira dos Santos, que ficou em prisão domiciliar.
A ação teve como objetivo principal desarticular uma facção criminosa responsável pela execução sumária de um indivíduo, alvejado enquanto trabalhava em um trator, em novembro de 2025.
O CRIME
Anderson Calente Saiter, 25 anos, foi assassinado a tiros na manhã de 25 de novembro de 2025, na zona rural do distrito de Fátima, em Jaguaré, a 210 quilômetros de Vitória, ao Norte do Espírito Santo.
Anderson foi surpreendido por três homens armados, enquanto abastecia um trator em uma fazenda na região.
O crime, acompanhado em tempo real pelo proprietário da fazenda, que monitorava as atividades de Anderson pelas câmaras de segurança da propriedade, e as imagens foram passadas à Polícia, que identificou os autores.
Os suspeitos saíram de uma plantação de pimenta próxima, efeturaram os disparos e fugiram a pé pela lavoura logo em seguida.
De acordo com informações colhidas na época pela Polícia Militar e divulgadas nos portais locais, a vítima teria se envolvido, no ano anterior, em uma briga ao lado do cunha, o que gerou ameaças de morte. O cunhado de Anderson havia sido assassinado em outra ocasião.
O inquérito policial apontou que Anderson foi assassinado pelo tráfico como “queima de arquivo”. Veja o vídeo do crime, registrado nas câmaras de segurança da fazenda.
MANDADOS
Os mandados de prisão cumpridos nesta sexta-feira decorreram do fato de, de acordo com a Polícia, as investigações, fundamentadas no inquérito policial, terem revelado uma organização estruturada e hierarquizada, que utilizava o terror como meio de controle territorial.
A organização criminosa, faccionada ao Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro e com forte atuação no Norte do Espírito Santo, Sul da Bahia e Nordeste de Minas Gerais, tinha como base em Fátima, a 12 quilômetros da sede do município de Jaguaré, um ponto importante de conexão com Vila Valério e Rio Bananal, onde a facção tem presença junto com o Primeiro Comando de Vitória (PCV), principalmente em São Jorge de Tiradentes.

De acordo com o inquérito, a advogada tem “participação ativa na estrutura do bando”. “A investigada, aproveitando-se de suas prerrogativas profissionais, transcendia os limites de sua função ao atuar como um verdadeiro pombo-correio da organização. Ela era a responsável por viabilizar o fluxo clandestino de informações, levando prestações de contas do tráfico e trazendo ordens de mando de lideranças já encarceradas para os executores que permaneciam nas ruas”, diz relatório do delegado Erick Lopes Esteves, titular de Jaguaré e respondendo também por Vila Valério.
Diante da materialidade e dos indícios veementes colhidos, foi dado cumprimento a seis mandados de prisão, todos por homicidio, incluindo o mandado de prisao domiciliar em desfavor da referida advogada, que foi presa no município de Pedro Canário, após a investigação apontar sua participação estável na organização armada.
“Esta operação reforça que a atuação profissional não pode ser utilizada como manto protetivo para o cometimento de crimes, sendo a desarticulação desse elo logístico fundamental para a neutralização da capacidade operacional do grupo criminoso. A delegacia de Jaguaré reforça seu compromisso em combater os crimes violentos cometidos no município”, disse o delegado.
A operação Tolerância Zero, desencadadeada de maneira permanente há cerca de oito meses, conta com 42 presos até o momento, todos ligados a crimes violentos. (Da Redação)



























