O primeiro e único porto público brasileiro com 100% de gestão privada mostra resultados expressivos e, como projeto-piloto inédito no País, poderá servir de modelo para novas iniciativas visando à modernização de outros equipamentos ao longo da costa brasileira.
Em setembro o Porto de Vitória – na verdade, Vitória/Vila Velha – completa quatro anos que foi assumido pelo fundo gerido pela Quadra Capital sob a marca VPorts e acumula resultados positivos provocando debates sobre o modelo econômico.
“O modelo já deu certo”, afirma o presidente do Sindicato dos Portuários de Capatazia e Arrumadores do Espírito Santo, Josué King Ferreira, que possui pós-graduação em gestão portuária pela Universidade de Vila Velha. O resultado da antiga Codesa promove debates sobre o modelo em nível nacional.
Depois de de mais um recorce de movimentação de cargas em maio, e dos resultados obtidos nos cinco prikmeiros meses do ano, o segundo semestre trará mais um marco para o desenvolvimento portuário capixaba.
Fruto de investimentos de R$ 130 milhões, fica pronto em julho o projeto que prevê a instalação de uma moega ferroviária específica para a movimentação de ferro gusa, interligada a um ramal ferroviário, dentro do Porto de Capuaba, em Vila Velha.
Resultado de uma parceria entre Vports, VLI e Multilift, a iniciativa tem potencial de dobrar a movimentação do produto de 500 mil toneladas por ano para 1 milhão de toneladas/ano.
O início das operações ferroviárias está previsto para o mês de agosto, com o primeiro embarque já utilizando a nova estrutura, que traz eficiência e produtividade à operação.
O assunto foi apresentado no painel “Espírito Santo: O Hub Portuário que Conecta o Brasil ao Mundo” pelo vice-presidente da Vports, Gustavo Serrão.
Segundo o executivo, o projeto da ferrovia integrada ao porto representa bem o investimento em infraestrutura que promove ganho de eficiência. Ele explica que a moega, uma estrutura em formato de funil que permite a descarga direta de cargas de vagões para correis transportadoras ou silos, tornará mais ágil e eficiente a movimentação de gusa.
Segundo ele, essa nova solução ferroviária permite evitar uma fase logística onde o vagão tinha que descarregar em outro pátio para depois ser levado ao porto, via caminhões ou vagões menos eficientes. “Agora, os vagões podem vir direto ao porto”, explicou.
A recuperação da estrutura ferroviária, entrega realizada pela Vports no final de 2024, permite que o vagão entre no porto e seja posicionado ‘em cima’ da moega. Com a abertura das comportas inferiores, o gusa cai por gravidade diretamente neste funil subterrâneo.
“Permitir a integração entre modais é um passo fundamental para ampliar a eficiência e reduzir o custo logístico total, com ganhos para toda a cadeia. E esse projeto ilustra bem o objetivo conjunto de trabalhar para trazer competitividade ao setor portuário capixaba”, afirma Serrão.
Segundo ele, também se soma à integração ferroviária e à inauguração da moega, a disponibilização de um novo berço vocacionado ao gusa com capacidade para receber navios maiores, evoluindo de 40 mil para 55 mil toneladas.
HISTÓRIA
O Porto de Vitória completou oficialmente os seus 120 anos de história em 28 de março de 1906, fato comemorado em sessão solene na Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
O marco centenário celebra a trajetória do complexo que nasceu para escoar o café e se transformou no primeiro e único porto público do Brasil com gestão 100% privada.
Mais de R$ 1,5 bilhão foram viabilizados e contratados em parceria com operadores portuários para a modernização e ampliação da infraestrutura.
O canal de acesso foi aprimorado para receber navios de até 245 metros de comprimento, ampliando a recepção de embarcações do tipo Panamax na capital capixaba.
O complexo registrou marcas expressivas na movimentação de mercadorias, alcançando cerca de 7,9 milhões de toneladas em 2025, impulsionado fortemente pela importação de automóveis (mais de 215 mil veículos) e fertilizantes.
O número de corporações utilizando os portos da Vports para exportar ou importar cresceu 38%, superando 1.400 empresas ativas, segundo informações do Jornal Empresarial.
Com uma estrutura considerada multimodal, o complexo portuário presente em Vitória, Vila Velha e Aracruz integra mar, ferrovia e rodovia para atender as necessidades logísticas de mercado.
O cientista Político João Gualberto Vasconcellos fez um resgate histórico do porto ao pontuar que em ainda em 1895 surgiu a primeira dotação orçamentária para a estrutura, mas as obras começaram apenas 1906 (duraram até 1940). O objetivo da ideia em torno da iniciativa surgiu de deputados estaduais da época e visava transformar Vitória em um centro comercial inspirado em Paris.
“Nós estamos falando do coração da economia do Espírito Santo, do coração da cidade de Vitória e do investimento que transformou o Espírito Santo no estado extraordinário que ele é”, destacou. (Da Redação com assessoria)
Mais um recorde de movimentação de cargas nos portos de Vitória e Vila Velha























