A operação Lucas 3:14, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (02.06), na Região do Caparaó, trouxe à lembrança a Operação Magogue, realizada em 2012, que teve como alvo desarticular uma suposta organização criminosa e esquema de extorsão que contava com a participação de agentes de segurança.
A Magogue foi deflagrada pelo Ministério Público em Iúna para cumprir 20 mandados de prisão (temporária e preventiva), incluindo oficial da Polícia Militar, além de investigações de crime de pistolagem, extorsão e adulteração de veículos.
A investigação teve início a partir de um inquérito de 2010, que apurava a execução de um suposto traficante. Apenas após as prisões e o afastamento dos acusados, as vítimas e testemunhas ganharam segurança para denunciar o esquema, que operava sob forte clima de intimidação.
Um dos oficiais envolvidos, o tenente-coronel que na época comandava a 7ª Companhia Independente da Polícia Militar em Iúna, mais tarde foi absolvido pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo em processo por improbidade administrativa. O então delegado Danilo Bahiense, hoje deputado, foi quem comandou a operação.

O empresário Eduardo Gomes de Matos, o principal envolvido, foi condenado por crime de extorsão a dez anos, dois meses e seis dias de reclusão em regime inicialmente fechado, além do pagamento de 31 dias-multa, com o dia-multa estipulado no valor de um salário mínimo vigente à época dos fatos.
A sentença foi proferida pelo juiz substituto da 2ª Vara de Iúna, Rodrigo Gasiglia de Souza, nos autos da Ação Penal nº 0000848-84.2012.8.08.0028, relacionada à Operação Magogue, que teve início em novembro de 2011.
Segundo as investigações da Polícia Civil e do Grupo Especial de Trabalho Investigativo do Ministério Público Estadual, empresários e policiais militares estariam envolvidos na organização.
AGIOTAGEM
Ao proferir a sentença nesta Ação Penal, o magistrado também condenou Eduardo pela prática de usura (agiotagem) a um ano e um mês de detenção em regime inicialmente aberto. Várias outras Ações Penais relativas à Operação Magogue ainda tramitam em Iúna.
Além disso, o magistrado decretou a prisão preventiva dos irmãos Márcio da Costa Florindo e Sérgio da Costa Florindo, acusados pelo Ministério Público Estadual (MPES) de ameaças de morte às vítimas do empresário Eduardo Gomes de Matos.
Nesta Ação Penal, o empresário respondeu apenas pelos crimes cometidos contra uma de suas vítimas, sendo que Eduardo Gomes de Matos continuou respondendo a vários outros processos, referentes a crimes supostamente cometidos contra outras pessoas.
Neste caso em específico, o empresário emprestou a um pequeno plantador de café da região de Iúna quantia em dinheiro correspondente a duas sacas de café, tendo a vítima sido compelida a assinar uma nota promissória em branco, garantindo o empréstimo com 16 sacas de café.
Segundo os autos, após o pagamento do valor principal, a vítima passou a ser cobrada pela parte correspondente aos juros. Ainda de acordo com os autos, os juros eram cobrados pelos irmãos Florindo, que respondem pela prática dos crimes em outros processos.
A vítima teria sido por diversas vezes ameaçada de morte pelos irmãos caso não pagasse o valor da nota promissória. Segundo o depoimento de uma das testemunhas, era prática comum do empresário emprestar dinheiro, converter a dívida em café e cobrar juros extorsivos.
Em sua sentença, o magistrado destacou que “por meio do uso de coação moral, o acusado intimidou de forma desumana e vexatória pessoa de idade já avançada, pequeno plantador de café da região de Iúna, de forma suficientemente capaz de incutir na vítima o temor de que perderia a vida caso não saldasse o compromisso assumido, o que, por si só, configura a figura delitiva de extorsão”, concluiu o juiz.
MORTE EM CONFRONTO
Eduardo Gomes de Matos morreu no dia 11 de março de 2021 após uma troca de tiros com o investigador da Polícia Civil Jane Antônio Rosa de Azevedo, 64 anos, que morreu no local. O incidente foi à noite e o produtor de café Eduardo Gomes de Matos deveria estar em casa, pois cumpria prisão domiciliar pela condenação da Operação Magogue. Ele morreu quando estava sendo transferido para o hospital em Cachoeiro de Itapemirim.
De acordo com informações obtidas pela polícia no local, os dois estavam no bar localizado na Rua José Antônio Lofêgo, no centro da cidade, quando Eduardo começou a afrontar o policial civil. Jane tentou evitar confrontos e sair do bar, mas Eduardo passou a cercá-lo, e quando o policial abriu a porta do carro para ir embora, Eduardo a fechou.
O investigador teria tentado retornar ao bar, quando Eduardo o empurrou, sacou a arma calibre .38 e disparou. O policial revidou, acertando sete disparos em Eduardo, mas já tinha recebido pelo menos três tiros, sendo um deles nas costas, e faleceu no local. (Da Redação)
Operação contra pistolagem e crime organizado na região do Caparaó prende quatro PMs























