Os moçambicanos, que representam a segunda maior colônia estrangeira vivendo na África do Sul, enfrentam uma onda de violência e perseguição dentro do País vizinho, onde grupos anti-imigrantes saem à caça desses vizinhos.
O Governo moçambicano condenou os atos xenófobos na África do Sul, que contrariam a tolerância e convivência pacífica na África austral, assumindo contatos diplomáticos para assegurar a proteção de nacionais naquele país vizinho.
“O Governo repudia e condena de forma veemente os ataques de xenofobia que estão a ocorrer no país vizinho, a África do Sul, contrariando os valores e espírito de tolerância e de convivência pacífica e harmoniosa entre irmãos do Continente Africano e da SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África austral], em particular”, disse a primeira-ministra de Moçambique, Maria Benvinda Levi, no parlamento.
Ao responder a perguntas de deputados, a governante disse que o executivo tem vindo a manter contactos diplomáticos com as autoridades sul-africanas para garantir a segurança e proteção de moçambicanos que se encontram naquele país.
“As nossas missões diplomáticas e consulares acreditadas na África do Sul estão a acompanhar a situação e a providenciar assistência consular a todos nossos compatriotas, com o envolvimento ativo das lideranças comunitárias moçambicanas”, disse Levi.
PRESENÇA
Estima-se que existam cerca de 400 mil moçambicanos vivendo na África do Sul, cuja população é 80% negra, embora números oficiais de registro eleitoral em 2024 tenham identificado pouco mais de 200 mil cidadãos moçambicanos em idade de votar.
Os moçambicanos representam a segunda maior comunidade de imigrantes no país, atrás apenas dos zimbabuanos. A maioria reside nas províncias de Gauteng, Mpumalanga e Limpopo.
O número total é difícil de precisar devido ao grande fluxo de migração sazonal e trabalhadores não documentados em setores como minas e agricultura.
O Governo moçambicano pediu vigilância, calma e serenidade dos moçambicanos, apelando a que não se avance com retaliação face à violência, referindo que tais atos podem ter efeitos nefastos para a estabilidade económica, social e política dos países.
O presidente moçambicano, Daniel Chapo, viaja hoje para a África do Sul para abordar soluções para uma “convivência pacífica” após ações xenófobas no país vizinho, anunciou anteriormente o Governo.
A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando a migração, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, no Leste do país.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de duras críticas internacionais por xenofobia.
Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch. (Da Redação com DW.com)




























