Na última semana, uma notícia chocou o jornalismo brasileiro, levando a própria Federação Nacional dos Jornalista (Fenaj) a emitir nota sobre a precarização da atividade no País: a morte de um cinegrafista e de uma repórter da Band Minas.
O caso teve grande repercussão e a reportagem da Tribuna Norte-Leste localizou, em João Monlevade, cidade que fica na intersecção das BRs 381 e 262, em Minas Gerais, o último entrevistado pela dupla antes de morrer.
Alice Ribeiro e Rodrigo Lapa tinha grande engajamento social. Ele, nos finais de semana, vestia-se de palhaço e integrava um grupo que levava alegria a pacientes de hospitais de Minas Gerais.
Alice tinha um filho de nove meses e um irmão autista, o que a levou à militância em favor dos neurodivergentes.

Esses detalhes foram passados por Clésio Gonçalves, que lidera o Movimento Pro-Vidas e Desenvolvimento da BR 381 e Rodovias Adjacentes, e que foi o último entrevistado pela dupla de jornalistas.
O movimento liderado por Clésio agora luta pela duplicação também da BR 262 entre João Monlevade e a devisa MG-ES.
Clésio e os jornalistas passaram mais de três horas juntos no último dia 15, no KM 30 da BR 381, entre Belo Horizonte e João Monlevade. Clésio conta como foi:
“Tínhamos marcado uma entrevista às 9 horas. Antes desse horário eu estava lá e a equipe chegou com pontualidade. Gravamos e combinamos que no jornal do meio dia entraríamos ao vivo. Ficamos conversando e fomos almoçar juntos. Eles estavam descontraídos e falaram muito de sonhos e projetos pessoais”, disse Clésio.
A entrevista era sobre o início das obras de duplicação da BR 381. Do local, Clésio gravou também um vídeo e compartilhou pelas redes sociais. Depois que terminou a participação do meio-dia, os dois jornalistas se despediram dele e partiram de volta para Belo Hrizonte.
“Como eu tinha um compromisso em Belo Horizonte, também segui viagem para a capital. Alguns quilômetros à frente, o trânsito estava parado. Veio uma pessoa a pé e informou que havia um acidente à frente, e que tinha um morto e outra pessoa presa às ferragens. Eu tinha hora marcada e, como conheço a região, busquei uma rodovia alternativa para Belo Horizonte. Nem de longe eu poderia imaginar a notícia que logo me chegaria”, disse Clésio.
No meio da viagem, ele recebeu uma ligação de um jornalista da rádio Itatiaia informando que as vítimas do acidente eram os dois jornalistas com quem havia passado a manhã, aos quais havia concedido entrevistas.
“Eu perdi o chão. Fiquei em estado de choque. Passei uns três dias sem dormir direito pensando em como a vida pode ser breve. Dois profissionais cheios de vidas e de sonhos vitimados justamente por aquilo que debatíamos, a importância da duplicação para aquela que ficou conhecida como a Rodovia da Morte. Se estivesse duplicada, certamente eles não teriam morrido”, disse Clésio.
O repórter-cinegrafista Rodrigo Lapa, 49 anos, gaúcho de Porto Alegre, morreu na hora. Alice, 35 anos, foi resgatada em estado grave por um helicóptero do Corpo de Bombeiros e morreu no dia seguinte, 16.04, no Hospital João XXIII.
O acidente que causou a morte dos dois profissionais foi uma colisão frontal contra um caminhão que seguia no sentido Belo Horizonte-Vitória. (Da Redação)
Morte de equipe da Band expõe precarização do jornalismo, diz Fenaj

























Há 30 anos mineiros esperam plea duplicação da BR381 e nada. Ao entrevistarem o líder do Pró Vidas, exatamente sobre o assunto, ocorre o triste e trágico acidente e logo com os jornalistas os quais foram fazer a matéria. Talvez um chamado de mais atenção das autoridades competentes para que se faça a duplicação e o quão ela é importante para quem trafega na BR chamada de BR da morte.