*Usiel Carneiro de Souza
“O ódio é aprendido, pois não se nasce odiando. Mas o amor é uma escolha que todos precisamos fazer.” (Nelson Mandela).
O ódio é aprendido, assim como o preconceito, o racismo, a misoginia e a violência de gênero.
Estamos todos tristes e chocados (pelo menos deveríamos estar) com a violência praticada por 5 rapazes que estupraram e surraram uma garota de 17 anos, estudante da mesma escola no Rio de Janeiro.
Com a denúncia, outros casos praticados pelo mesmo grupo vieram à tona.
Onde se aprende a violência?
Ouso dizer que aprendemos nos relacionamentos com aqueles que respeitamos ou admiramos. Eles nos servem de mentores para a vida. Familiares, amigos e ídolos nos inspiram a viver de certa forma e a agir de certa maneira.
Acredito que foi como aqueles rapazes aprenderam que poderiam atrair uma colega, abusar sexualmente dela e surra-la como se fosse um objeto. Sim, objeto, porque mesmo os animais desfrutam de proteção legal e talvez aqueles rapazes até tenham um cachorro a quem dediquem carinho.
É bastante possível que existam mulheres em suas vidas. Mas isso não lhes serviu de freio. Suas mães, tias, irmãs ou avós não os fizeram refletir. Não pensaram em quanto seria doloroso saber que uma delas teria sido tratada como estavam para tratar a colega de escola.
Claro que ninguém é uma vítima indefesa de maus exemplos. De pessoas que ensinam o que jamais deveríamos aprender. Mas as vezes esse doutrinamento começa bem cedo e segue inadvertidamente por toda a vida.
São pequenos gestos, palavras, tolerância com o intolerável… falta de um olhar critico para comportamentos que denunciam canalhice, barbárie, estupidez.
No começo são apenas ciscos no olho moral. Mas com o tempo revelam-se postes que impedem que se enxergue o bandido que se formou na própria alma. Insensível e brutal que banaliza a vida, o direito do outro, o valor do ser humano. Capaz de organizar um encontro com o objetivo de violentar uma colega e surrá-la como forma de se obter prazer, de sentir-se aproveitando a vida.
A violência contra a mulher é uma lição que vem sendo ensinada na história desde tempos remotos. É muito recente o espaço que elas tem para gritarem por seus direitos e sustentarem sua igualdade no mundo dos homens.
Apesar de leis e inegáveis avanços, ainda recebem menos do que homens para realizarem o mesmo trabalho. Ainda são ameaçadas e mortas porque ousam ser livres. Porque têm a ousadia de dizer “não”. E de alguma forma a culpa teima em ser atribuída a elas.
Recentemente, ouvi de uma terapeuta um exemplo disso. Uma mãe a procurou buscando ajuda. Estava consternada porque havia encontrado no celular de seu filho um diálogo em que ele pedia fotos dos seios de uma colega. E a menina havia mandado as fotos.
Em seguida, a menina pediu como compensação pelas fotos que o garoto lhe enviasse créditos para que ela pudesse gastar em jogos virtuais. E o garoto vinha fazendo esse tipo de “compra” com alguma frequência.
Mas o detalhe é que aquela mãe estava indignada, não com o filho, mas com as garotas. Elas estavam usando seu menino! A culpa era delas. Elas eram as vilãs.
Se quem me lê tem mais de 60 anos, possivelmente lembra-se do caso emblemático do assassinato de Angela Diniz, morta em 30 de dezembro de 1972, em Buzios.
Um caso que se tornou um marco no combate ao feminicídio no país. Raul Fernando do Amaral Street, o “Doca Street”, diante da decisão de Angela de terminar o relacionamento, matou-a com quatro tiros no rosto.
O “não” desde sempre tem sido perigoso para mulheres. No primeiro julgamento (1979), a defesa alegou que Doca havia agido por amor e em “legítima defesa da honra”. A tese teve impacto no julgamento e Doca foi condenado a uma pena absurdamente branda (18 meses), logo saindo em liberdade.
Mas uma reação veio com a mobilização do movimento feminista em que a expressão “quem ama não mata” tornou-se lema. Isso levou a um segundo julgamento em 1981, quando Doca Street foi sentenciado a 15 anos de prisão.
Somente em 2023 o STF proibiu a tese de “legítima defesa da honra”, considerando-a inconstitucional por ferir a dignidade humana e os direitos das mulheres.
As atitudes, piadas, palavras e comportamentos que ensinam violência contra as mulheres estão por aí, em toda parte.
Estão em templos religiosos alimentadas por teologias questionáveis e embasadas por leituras maldosas do texto sagrado.
Infelizmente, estão também em mulheres que se moldaram às deformidades de um mundo machista e um estilo de vida patriarcal.
Os casos se repetem. Vez por outra nos chocam. É preciso dar um basta para o bem de todos nós e especialmente de nossas mães, avós, tias, irmãs, filhas, netas e amigas. E acredito que isto dependa em boa parte de nós, homens.
Que sejamos, radicalmente, intolerantes e prontos a agir diante do mínimo sinal de ultraje à dignidade feminina. Jamais seremos os homens que deveríamos serz enquanto não olharmos para as mulheres com o respeito que elas merecem.
*Usiel Carneiro de Souza é administrador, teólogo, pastor batista

























Bom dia! Infelizmente esses seres terríveis que cometem qualquer tipo de violência são gerados e criados por mulheres e que devem serem tratadas por seus companheiros de forma desrespeitosa. Não estou justificando, mas se formos olhar esses homens que cometem feminicidio contra mulheres, são criados por pessoas doentes e daí vem o ensinamento, onde pode tratar uma mulher de forma grotesca, sem respeito, sem amor e etc……
Nossos homens não estão preparados para entender que nós mulheres somos tão importantes para o mundo, como eles são…. O não é pra muitos uma faca que corta seus órgãos vitais e não podem ouvir……
Se nós mulheres e digo mulheres somente pq a grande maioria cria seus filhos sozinhas, mesmo estando num relacionamento, se não nos unirmos para educarmos os nossos filhos para terem respeito, empatia, amor por qualquer que seja o ser vivo, nós não vamos conseguir mudar essa realidade, infelizmente..,.
Acredito que pra isso TB precisaremos de apoio com as escolas e igrejas, não para educar, mas para nós ajudar a falar a mesma língua…. Não é NÃO!!! Respeite!!
Sou mãe de um menino, crio ele sozinha e converso muito com ele sobre como um homem deve tratar uma mulher e que o não e a frustração fazem parte da vida e é essencial para o nosso crescimento como seres humanos….
Meu filho é uma peça bruta numa forma moldável, ele não é pegajoso, mas é extremanente educado, respeitoso e mesmo que não fique com muita delicadeza com as mulheres, sabe respeitar ….
Precisamos dar o primeiro passo para termos homens dignos, honrados no futuro…..
Infelizmente a doutrinação leva a violência.
O rigor da lei se mostra Incapaz de corrigir os rumos da violência evidenciada contra as mulheres.
É preciso encontrar caminho comum ao Combate à violência.
A família e instituições de ensino têm papel preponderante.
Os pais, família e principalmente as genitoras, por vezes solo, devem ensinar aos seus filhos homens o Respeito que devem proceder com as mulheres e, aqui estendendo o comentário, a todos os seres humanos. E às filhas para se valorizarem e não se acharem inferior ou submissas ao homem.
As Diferenças inerentes não é motivo de peso maior!
A Mulher, Mãe, Filha, Irmã, Esposa, merece todo apoio para não se tornar alvo de sádicos, usurpadores da dignidade, pedófilos. Enfim, doentes da Alma.
Viva a Vida de todas, de todos!!!