O curso de Medicina do campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em São Mateus, terá sua primeira turma no segundo semestre de 2026. Na sequência, o Ministério da Educação vai autorizar a implantação do curso no campus de Alegre e, assim, cobrir o Estado inteiro com Medicina pública e gratuita.
A confirmação foi feita nesta terça-feira (10) pelo ministro Camilo Santana, em café da manhã com jornalista no Golden Tullip, em Vitória, antes de iniciar sua intensa agenda de entregas na capital capixaba, passando pelo campus de Goiabeiras, pelo Hospital das Clínicas em Maruípe e pelo Instituto Federal do Espírito Santo para dar posse à professora Adriana Pionttkovsky Barcellos como reitora, o que é inédito na história da instituição.
A instalaçáo do curso de Medicina em São Mateus e Alegre deixou de ser um desejo de lideranças locais e de representantes político para ser fruto de uma estratégia do Governo Federal de interiorização do ensino de ciências médicas no Brasil. “Tínhamos a oferta somente na Grande Vitória, mas agora vamos ter no Norte, onde o processo de contrataçáo de pessoal já está em curso, e vamos autorizar no Alegre, servindo a população do Sul capixaba”, disse o ministro.
A previsão em São Mateus era para começar no primeiro semestre de 2026, mas, participando do momento do ministro com jornalistas, o reitor Eustáquio Vinicius Ribeiro de Castro confirmou que o início ficou para o segundo semestre por conta de atrasos na estruturação da unidade para receber a nova graduação.,
O projeto de implantação do curso prevê a oferta de 60 vagas por ano. O investimento calculado é de R$ 30 milhões, incluindo a construção de um prédio e a aquisição de equipamentos e outros itens necessários para seu funcionamento. A Ufes já deu início ao processo para a realização de concurso público que vai selecionar servidores técnicos e docentes que atuarão no curso. A expectativa é de que sejam abertas 30 vagas para técnicos e 60 vagas para docentes.
Para além de atender os capixabas, os dois cursos atenderão também a brasileiros de regiões próximas ainda não cobertas pela oferta de Medicina pública e gratuita: em Alegre, serão servidos o Norte do Rio de Janeiro e a zona da mata mineira; em São Mateus, haverá impacto sobre o extremo Sul da Bahia e os vales do Mucuri e Jequitinhonha, no Nordeste de Minas Gerais.
O ministro fez questão de registrar que 60% das melhores notas na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), cujos resultados foram divulgados pelo Ministério da Educação no dia 19 de janeiro, ficaram com as universidades federais. Dentre elas, a Ufes, com nota 5, a máxima. Depois delas, 23% são universidades estaduais, ou seja, 83% dos melhores desempenhos ficaram com o ensino público e gratuito.
“As faculdades privadas tentaram impedir na Justiça que divulgássemos esse resultado, mas a sociedade venceu”, disse, e pôde ficar sabendo a verdade dos cursos de Medicina. Dos 351 cursos avaliados, 107 ficaram com notas 1 e 2 e vão sofrer sanções. As instituições com conceito 1 ou 2 no exame estarão sujeitas à penalidades. Cursos com conceito 2 terão redução de vagas para ingresso e não poderão usar financiamento do FIES. Já aqueles com conceito 1 terão suspensão total do ingresso de novos estudantes.
“Durante o governo Temer ouve um derrame de autorizações de novos cursos de Medicina nas faculdades privadas, praticamente todos eles por via judicial”, disse.
O Ministério acabou também com os cursos da área de saúde por Ensino à Distância. “A maioria dos cursos de enfermagem eram à distância. São pessoas que vão cuidar de sua família. Acabamos com isso, agora são todos presenciais”, disse Camilo.
PÓS-GRADUAÇÃO
O ministro Camilo Santana aproveitou para divulgar o resultado da avaliação dos cursos de pós-graduação strictos sensus, ressaltando a volta dos investimentos em ciência pelo Governo Federal, depois do desmonte do período anterior. De acordo com ele, os investimentos aumentaram mais de 60% e o objetivo é que aumentem ainda mais.
A avaliação quadrienial da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em 2025, demonstrou aumento no número de programas de pós-graduação nas regiões Centro-Oeste (+4,9%) , Nordeste (+3,4%) e Norte (+12%) . As regiões Sul e Sudeste ficaram estáveis.
Houve aumento no número ( de 667 para 808) de programas de excelência (Notas 6 e 7). A excelência da Pós-Graduação nas instituições públicas é maior (18,6% dos seus PPGs) que nas instituições privadas (13,1% dos seus PPGs).

O ministro Camilo Santana, ao lado do governdor Renato Casagrande, elogiou a qualidade da educação do Espírito Santo. “O Espírito Santo é um Estado com resultados nos exames nacionais que são exemplos para o Brasil. Avançou na alfabetizaçáo, é referênica no Enem, no ensino de tempo integral. E na avaliação das pós-graduações o Espírito Santo também mostrou evolução.
Quatro cursos receberam nota 6, todos eles da Ufes (Educação, Psicologia, Política Social e Histpória). Veja quadro abaixo:
























A Tribuna Norte-Leste participou do café da manhã com o ministro Camilo Santana e novas abordagens da entrevista serão apresentadas posteriormente. 