A cidade de Montanha, a 340 quilômetros de Vitória, no extremo Norte do Espírito Santo, tornou-se uma preocupação especial para as autoridades de segurança pública.
Está havendo uma espécie de “invasão” de traficantes da Grande Vitória por conta da posição geográfica estratégica, o que poderá desencadear uma guerra por território com consequências diretas para a população inocente.
Montanha é uma cidade típica do interior, sobre colinas que marcam a geografia física do centro-norte do Espírito Santo, tem 20 mil habitantes e 100 mil cabeças de gado, destacando-se na produção pecuária. Mas os últimos acontecimentos estão tirando essa paz.
Na sexta-feira (10) a Polícia prendeu um homem procurado pela Justiça, Rogério Barbosa Lima, faccionado ao Terceiro Comando Puro (TCP), com mandado judicial em aberto, que havia deixado a Ilha do Príncipe em Vitória e se estabelecido numa casa da cidade há poucas semanas para comercializar drogas.
No sábado (11), policiais militares interceptaram na altura do Ifes, entrada da cidade, um ônibus que havia saído de Vitória para Montanha e prenderam dois homens – João Pablo Costa da Silva, o “El Patron”, e Marlon Marcelino Alves, o “2MM” – que chegavam transportando drogas em uma mochila.
Na madrugada de domingo (12), numa festa clandestina nas margens da rodovia que liga a cidade ao Laticínio Damare um homem identificado Maurício Guilherme Costa Reis, que a Polícia apontou como chefe do tráfico no bairro Amazonas (Casinhas ou Cohab), foi assassinado com três tiros na cabeça.
INVASÃO DE CASA
Na tarde desta quarta-feira (14), quatro elementos foram presos e grande quantidade de drogas apreendida, numa ocorrência que adiciona um componente extra na ação do tráfico na cidade: os indivíduos haviam invadido a casa de uma mulher que morava sozinha e lá montaram uma “boca de fumo” (ponto de venda de drogas).
As guarnições de Força Tática. serviço de Inteligência da PMES e o setor de investigação da Policia Civil receberam diversas denúncias sobre o tráfico de drogas no Bairro Lajedo, comandado pelo W dos S. B., vulgo Nego Brau ou Nego Tharles, e que tinha como gerente local um elemento conhecido como Kadu BU, que foi preso em flagrante numa operação atnerior.
Desde então, o traficante de iniciais R.H. de O., que veio de Cariacica a mando de Nego Bau, assumiu a função de gerente local do tráfico que era exercido em companhia de L. I. D. da S. e de T. F. da S..
Nesta quarta-ferira (14), a Polícia recebeu a informação de colaboradores de que o grupo havia invadido a residência que fica localizada na rua da Curva, que pertence a uma senhora que mora sozinha e estavam manuseando o entorpecente na residência.
A Força Tática e o serviço de inteligência cercaram a residência e verificou que um dos indivíduos que veio na porta dos fundos e retornou correndo para dentro da residênci. Os policiais foram atrás em dentro da residência, abordaram no quarto R. H. de O. D., e na sala mais três pessoas: I. D. da S., T. F. da S. e uma mulher de iniciais A. A. D..
Nos fundos da residência estava a mulher, E. P. C., sendo visualizado de imediato diversos resquícios que ali estava sendo manuseado entorpecente (sacolas de chup chup espalhados e resquícios de entorpecentes). Os elementos confessram que realmente estavam cortando o entorpecente, tendo o T. indicado um baú que estava no quarto em que o R. estava como o local onde havia uma parte do entorpecente.
Dentro do baú, a Polícia encontrou uma sacola que continha dois tabletes de maconha com peso aproximado de 500 gramas cada, outra porção de maconha que ainda seria embalada com peso aproximado de 60 gramas, 109 buchas de maconha já embaladas para o comércio (buchas de R$ 10,00), 33 buchas de maconha (buchas de R$ 50,00) e uma porção de maconha com peso aproximado de 20 gramas, além de uma balança de precisão e farto material para embalo.
O elemento R. indicou uma porção de crack com peso aproximado de 50 gramas (que renderia aproximadamente 250 pedras de crack) e que estava escondida debaixo de um fogão.
Numa ára de pasto o elemento indicou uma sacola que estava escondida dentro de um buraco contendo em seu interior duas porções de cocaína, uma com peso de aproximado de 41 gramas e outra com peso aproximado de 6 gramas.
Outro elemento, L., levou os policiais a um terreno baldio onde fora encontrada uma carga de crack contendo 15 pedras (pedras de R$ 50,00).
Ao ser indagado sobre a procedência dos entorpecentes, estes afirmaram que o “patrão” teria enviado o entorpecente na manhã desta quarta-feira através da portadora Amanda Andreatta.
A mulher confeirmou o relato e disse que alguém teria feito contado com ela para trazer o entorpecente da cidade de Vitória para a cidade de Montanha, mas que ela não sabe informar quem seria essa pessoa.
A Polícia ainda apreendeu R$ 175,00 (em cédulas fracionadas) e três aparelhos de telefones celulares possivelmente utilizados para o gerenciamento do tráfico, tendo em vista que o “chefe” reside na Grande Vitória.
A dona da casa informou à Polícia que foi interpelada pelo grupo quando estava na rua e T. a indagou ela se poderiam usar a casa para cortar o entorpecente, tendo ela negado a eles.
Quando voltava para casa, foi informada que o grupo havia invadido a sua residência e ao chegar em casa realmente encontrou com o grupo manuseando o entorpecente e logo em seguida as guarnições chegaram e eles mandaram ela permanecer em silêncio.
Durante a ocorrência, policiais pesquisaram o IMEI do telefone xiaomi Note que estava em posse do R. H. de O. D. e constataram que possui restrição de roubo. Os acusados de tráfico e todo o material apreendido foram entregues à central de flagrantes da Polícia Civil. (Da Redação)
NOTA DA REDAÇÃO: A primeira versão desta reportagem trouxe a informação de que o homicídio de Maurício Guilherme foi na região da Fazenda Tabajara. A informação está equivocada. A fazenda fica no outro sentido, em direção a Mucurici, enquano a lanchonete Galicão fica a 3km da cidade, no sentido Laticínio Damare.


























