Professores no Brasil gastam, em média, mais de 20% do tempo de aula tentando manter a ordem em sala, segundo a nova edição da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), divulgada nesta segunda-feira (6) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O índice supera a média internacional de 16%, revelando um cenário de maior indisciplina e desafios na gestão de sala de aula.
De acordo com o levantamento, mais da metade dos professores brasileiros (acima de 50%) relatam enfrentar “barulho perturbador e desordem” durante as aulas, mais que o dobro da média da OCDE, que é de 20%, ou um a cada cinco docentes.
A pesquisa também mostra que a parcela de tempo gasta com a manutenção da disciplina aumentou em quase todos os países desde a edição anterior, realizada em 2018.
Entre os exemplos comparativos, 33% dos professores no Chile, Finlândia, Portugal e África do Sul afirmaram enfrentar problemas disciplinares. Já na Albânia, Japão e Xangai (China), menos de 5% dos docentes relataram essa dificuldade.
No Brasil, o problema é ainda mais acentuado entre os educadores que estão no início da carreira: 66% dos professores novatos disseram lidar com interrupções constantes, contra 53% dos mais experientes.
Aproximadamente 43% a 44% dos docentes brasileiros afirmaram perder muito tempo esperando que os alunos fiquem em silêncio, a média da OCDE é de 15%. O mesmo percentual diz perder tempo com interrupções durante as aulas, índice que também é mais que o dobro da média internacional (18%).
Baixo reconhecimento e estresse profissional
Além da disciplina, a pesquisa investigou aspectos relacionados à valorização e ao bem-estar dos professores.
Apenas 14% dos professores brasileiros acreditam ser valorizados pela sociedade, embora o número tenha crescido 3 pontos percentuais desde 2018. Mesmo assim, o país segue abaixo da média da OCDE, que é de 22%.
O estudo também aponta altos níveis de estresse e violência simbólica. No Brasil, 47% dos professores disseram já ter sido intimidados ou abusados verbalmente por alunos, percentual quase o dobro da média global, que fica abaixo de 25%.
Outro dado relevante é que 72% dos docentes brasileiros trabalham em regime de meio período, uma das maiores proporções entre os países avaliados. “Garantir jornadas de 40 horas, preferencialmente com dedicação exclusiva a uma escola, aumenta a motivação dos professores, o vínculo com os alunos e os resultados de aprendizagem”, afirma Caetano Siqueira, coordenador de políticas docentes do Movimento Profissão Docente.
Ele reforça que melhores remunerações e condições de trabalho são fundamentais para valorizar a carreira. Segundo Siqueira, a sobrecarga e a falta de tempo para formação continuada — relatada por mais da metade dos professores — são barreiras que comprometem o desenvolvimento profissional da categoria.
Entenda a pesquisa Talis
Criada em 2008, a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) é conduzida pela OCDE e avalia o ambiente de ensino e as condições de trabalho de professores e diretores em diferentes países.
Entre os temas analisados estão:
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formação inicial e continuada dos docentes;
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práticas pedagógicas e métodos de ensino;
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clima escolar e gestão;
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satisfação profissional;
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uso de tecnologias e inovação.
A quarta edição, realizada em 2024, contou com a participação de cerca de 280 mil professores e diretores de 17 mil escolas em 55 sistemas educacionais. No Brasil, o estudo é conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que coletou os dados entre junho e julho de 2024.
Os participantes responderam a questionários específicos, elaborados para captar a percepção de cada grupo sobre os desafios e avanços da educação em seus países. (Da Redação com G1)






















