No segundo Estado mais violento do País, envolvido num intenso movimento de tráfico de drogas e uma guerra não declarada que envolve instituições públicas, a Polícia Militar utiliza o confronto como arma letal. Neste final de semana, sete pessoas morreram quando policiais militares dispararam dezenas de tiros contra os ocupantes de um veículo.
Dentre as vítimas na madrugada de domingo estava o jogador de futebol profissional Wendel Cristian, com passagens por Ypiranga Clube, Trem e EC Macapá, times tradicionais do Amapá.
Os policiais militares envolvidos foram afastados na manhã desta segunda-feira por determinação do governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade), e foi confirmada em coletiva pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) do estado. Um inquérito foi aberto para investigar a ocorrência.
O Amapá tem a terceira maior taxa de homicídios dos Estados brasileiros – 40,5 homicídios por grupos de 100 mil pessoas – , atrás da Bahia (45,1) e Amazonas (42,5), e seguido de perto por Roraima (38,6) e Pernambuco (35,2).
O caso do Amapóa ocorreu no bairro Pantanal, na Zona Norte de Macapá, e todas as vítimas estavam em um mesmo carro.
A ação policial foi motivada por “denúncia de tráfico de drogas” e “presença de indivíduos armados” em um veículo do mesmo modelo do que foi alvejado, um Onix Plus branco.
Segundo o boletim de ocorrência, os policiais “revidaram a injusta agressão” após serem recebidos com disparos, e aprenderam sete armas, sendo uma de grosso calibre, além de dinheiro em espécie e porções de crack, maconha e cocaína.
“Estamos em uma política de enfrentamento às organizações criminosas do nosso estado, e há informações concretas que, entre as pessoas que vieram a óbito, há integrantes de facção criminosa. Por outro lado, é importante salientar que todas as providências e medidas cabíveis para apuração dos fatos estão sendo tomadas”, informou o secretário de Justiça e Segurança Pública, José Netto, em vídeo publicado nas redes sociais.
Em nota, a Sejusp afirmou que o caso está sendo investigado “com rigor e imparcialidade” pela Polícia Civil para identificar se houve “excessos ou uso desproporcional da força”. A pasta informou, ainda, que um dos mortos foi identificado como Erick Marlon Pimentel Ferreira, apontado como liderança do tráfico da região e com “extensa ficha criminal”. Entre os mortos também está o adolescente Max Dias Toloza, de 14 anos.
Nas redes sociais, o governador Clécio Luís publicou que, além do afastamento dos policiais militares, determinou a “rigorosa apuração dos fatos” e a assistência aos familiares. “Agiremos com firmeza e responsabilidade para que tudo seja devidamente esclarecido”, escreveu Clécio. (Da Redação com O Globo)






















