A comunidade de Itaúnas, vila histórica de Conceição da Barra, onde está localizado o Parque Estadual de Itaúnas, na microrregião Nordeste do Espírito Santo, a 270 quiômetros de Vitória, aproveitou a audiência pública promovida pela Comissão de Meio-Ambiente da Assembleia Legislativa, visando a discussão do projeto de concessão dos parques estaduais para a iniciativa privada, para “gritar” as suas necessidades e o seu “estado de abandono”.

Dezenas de moradores foram ao ginásio de esportes da comunidade acompanhar a audiência pública e muitos se manifestavam por meio de faixas, apoiando o projeto na justa medida da reciprocidade para com os anseios da vila. Os representantes do poder público tiveram que ouvir críticas.
“O movimento foi simplesmente para que o Estado entenda que a política pública que fazem hoje é péssima, e que precisamos de política pública de verdade, que venha para a comunidade, enxergar suas necessidades. Fizemos o movimento para que façam o processo da maneira correta, e não como fizeram: postaram na mídia e depois vieram na comunidade. Venha para a comunidade escutar as necessidades e o que a comunidade precisa para que, quando for feita a concessão, que a comunidade tenha vez e consiga progredir”, disse o presidente da Associação Empresarial e Turística de Itaúna (Aeti), Victor Maia.

Maia salientou que “de fato, a vila precisa de investimento, de ajuda, não só no turismo, a gente precisa de uma escola estadual que não tem, de melhorias na saúde, que seja feito um processo com melhorias no turismo, mas também em outras áreas, porque Itaúnas está esquecida”.
Durante a audiência pública, Victor discursou em nome da comunidade e disse que Itaúnas é diferente de outros parques porque é um parque dentro da comunidade: “A gente é um destino turístico, mas hoje o nosso parque está sucateado, a vila está abandonada pelo parque, que não tem parceria com a comunidade, não tem diálogo. Foram eles, do parque, que acabaram com todas as atividades da comunidade. Acabaram com o passeio de cavalo, com o passeio pelo rio que o morador fazia”.
Victor avaliou que a concessão a uma empresa está sendo feita “porque o próprio parque causou deficiência econômica na comunidade que mora aqui. O meio ambiente é muito importante e ninguém mais do que o morador quer preservar, mas a gente precisa trabalhar, pagar as contas, criar nossos filhos. O Estado e o muinicípio não estão presentes, estamos abandonados, nenhum morador pode nada nesse parque”.
O presidente da associação disse, ainda, que ele mesmo já foi guia de turismo, mas que hoje não pode levar os turistas a lugar nenhum:
“Só tem espaço para ir na praia e voltar. Eu já fui guia de turismo , mas hoje não posso levar o turista às ruínas, a lugar nenhum. O turista não tem nada para fazer aqui e o jipeiro tem que levar o turista para a Costa Dourada (Bahia). A gente precisa de progresso, de turista em Itaúnas”.
Falando em nome do secretário Felipe Rigoni, do Meio Ambiente, o assessor Victor Ricciardi disse que o principal objetivo do projeto de concessão dos parques é a preservação e garantiu que nada está defionido.
“Não apresentamos ainda o projeto porque ele não está pronto, tem que refinar. Temos quie pensar em contrapartida social, ambiental e socioeconômica. No caso de Itaúnas, queremos que a vila prospere, que as pessoas daqui sejam protagonistas desse processo”, disse Ricciardi, assegurando que na primeira semana de dezembro o próprio secretário estará na vila para conversar com os moradores”.
Segundo Riiciardi, o processo de concessão está em fase de maturação, de análise por parte do Iema, e que não existe uma uma proposta fechada. “Já alteramos o processo do Paulo César Vinha (Guarapari) para atender às recomendações do Iema e assim vamos fazer aqui em Itaúnas”, garantiu.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Em suas redes sociais, o secretário Felipe Rigoni disse que a concessão dos parques estaduais vai gerar 10 mil empregos no Estado. “Em Conceição da Barra, por exemplos, onde está o Parque de Itaúnas, 37, 5% da população vive em situação de pobreza e 23,8% em extrema pobreza”, observou.
Segundo Rigoni, a concessão dos parques vai promover a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.
“Já está provado que o desenvolvimento econômico e a preservação podem andar juntos. Queremos que as pessoas tenham empregos, possam realizar seus sonhos e ter oportunidades”, disse Rigoni.

SOBRE O PARQUE ESTADUAL DE ITAÚNAS
A primeira iniciativa para a proteção ambiental na região de Itaúnas foi idealizada pelo cientista naturalista Augusto Ruschi, na década de 1940. Reconhecendo a riqueza natural da região, a proposta previa a criação de uma reserva florestal com 10.000 hectares, mas não foi consolidada. Mais tarde, em 1986, as dunas de Itaúnas foram tombadas como monumento natural do Espírito Santo, pelo Conselho Estadual de Cultura.
Já no início da década de 90, a região de Itaúnas chamava atenção por abrigar importantes sítios reprodutivos de tartarugas marinhas, grandes áreas de alagados, ao longo da planície de inundação do rio Itaúnas, e importantes sítios arqueológicos.
Neste período, o desmatamento da restinga e a ameaça de construção de um resort a norte das dunas levaram a sociedade civil e ambientalistas a requererem maior proteção da área. Assim, foi criado o Parque Estadual de Itaúnas (PEI), em 08 de novembro de 1991. Em 1992 a UNESCO reconheceu as áreas de proteção da Mata Atlântica, que incluem o PEI, como Patrimônio Natural da Humanidade.
A palavra “Itaúnas”, que dá nome ao Parque, ao rio e à vila, é de origem tupi-guarani e significa “pedra preta” (ita: pedra e una: preta). Há duas versões para a origem deste nome: uma é referente às águas negras do rio Itaúnas e outra em razão das rochas escuras de arenito que podem ser vistas na praia na maré baixa.
O site oficial do Iema – Instituto Estadual do Meio Ambinete informa que o parque é o mais visitado do Estado, recebendo aproximadamente 100 mil pessoas por ano. E que os visitantes encontram, em Itaúnas, a beleza natural das praias, das dunas e da floresta de restinga; a riqueza histórica da vila antiga, soterrada pelas dunas; as manifestações culturais do Ticumbi, do Alardo, do Jongo e dos Reis de Bois, realizadas na festa de São Sebastião e São Benedito, em janeiro; e o tradicional Festival Nacional de Forró de Itaúnas, realizado em julho.
DADOS GERAIS:
Área: 3.481 hectares
Situação fundiária: 5% regularizada
Município de abrangência: Conceição da Barra
Bioma: Mata Atlântica
Ecossistemas presentes: restinga, manguezal, dunas, floresta de tabuleiro e alagados.
Criação: Decreto Estadual 4967-E/1991
Plano de Manejo: (em revisão)
Infraestrutura
- Auditório
- Alojamento para pesquisadores
- Banheiro com acessibilidade
- Biblioteca
- Centro de Visitantes (exposição interpretativa permanente e espaço para loja)
- Escritório
- Trilhas sinalizadas
- Vigilância patrimonial





















